O Programa Confia marca uma mudança importante na relação entre a Receita Federal e os grandes contribuintes. A lógica deixa de ser apenas reativa, baseada em fiscalização, autuação e litígio, e passa a valorizar um modelo de relacionamento cooperativo, com mais transparência, governança tributária e tratamento antecipado de riscos.

Para empresas de grande porte, grupos econômicos, indústrias, importadoras e negócios em expansão, o tema não deve ser visto apenas como uma norma fiscal. O Confia é um sinal claro de como a Receita pretende avaliar maturidade de controles, qualidade das informações declaradas, consistência contábil e capacidade de gestão tributária.

Mesmo que a sua empresa ainda não esteja entre os contribuintes aptos à primeira edição, entender o Programa Confia ajuda a antecipar uma tendência: cada vez mais, conformidade fiscal será tratada como ativo estratégico, com impacto direto em caixa, risco, reputação, acesso a certidões e previsibilidade para crescer.

Resumo rápido: o que sua empresa precisa saber sobre o Programa Confia

  • O Confia é o Programa de Conformidade Cooperativa Fiscal da Receita Federal.
  • A primeira edição foi regulamentada pela Portaria RFB nº 621/2025, com regras de vagas, prazo e condições para requerer certificação.
  • O prazo original de candidatura foi de 26 de janeiro de 2026 a 20 de fevereiro de 2026, depois prorrogado até 20 de março de 2026 pela Portaria RFB nº 650/2026.
  • A edição de 2026 ofereceu 40 vagas e recebeu 51 requerimentos de certificação, segundo a Receita Federal.
  • A seleção envolve critérios quantitativos, como porte econômico, e qualitativos, como governança, conformidade tributária, controles internos e capacidade de gestão.
  • Para a empresa, o tema se conecta a regularidade fiscal, CND/CPEND, obrigações acessórias, matriz de riscos, documentação de decisões e governança tributária.

O que é o Programa Confia?

O Programa Confia é uma iniciativa da Receita Federal para criar um novo modelo de relacionamento com grandes contribuintes, baseado em conformidade cooperativa fiscal. Na prática, isso significa que empresas com alto impacto arrecadatório e operações complexas podem passar por um processo estruturado de certificação, diálogo e acompanhamento com o Fisco.

O que é o Programa Confia

A proposta é reduzir a dependência de uma relação puramente litigiosa. Em vez de a empresa só descobrir problemas tributários quando recebe uma autuação, o modelo busca estimular transparência, troca de informações qualificadas e tratamento prévio de inconsistências relevantes.

Isso não transforma a Receita em consultora da empresa, nem elimina a necessidade de controles próprios. Pelo contrário: o Confia aumenta a importância de uma estrutura robusta de Accounting and tax BPO, revisão de obrigações, gestão documental e governança tributária. Quem entra em um programa desse tipo precisa demonstrar maturidade, não apenas intenção.

O que a Portaria RFB nº 621/2025 definiu?

A Portaria RFB nº 621/2025 abriu a primeira edição do Programa Confia e estabeleceu as regras operacionais para o requerimento de certificação. Entre os principais pontos, a norma definiu o número de vagas, o período de candidatura e as condições aplicáveis ao processo seletivo.

A primeira edição foi estruturada para selecionar contribuintes com grande relevância econômica e capacidade de demonstrar governança fiscal. Segundo a Receita Federal, os pedidos são analisados com base na Instrução Normativa RFB nº 2.295/2025 e na Portaria RFB nº 621/2025, considerando critérios quantitativos e qualitativos.

Entre os requisitos divulgados pela Receita para concorrer a uma vaga estão: classificação como maior contribuinte especial, receita bruta declarada no Real Profit de pelo menos R$ 2 bilhões, débitos tributários declarados de pelo menos R$ 100 milhões, grau de endividamento menor ou igual a 30%, CND ou CPEND válidas e resposta ao Questionário de Autoavaliação.

Tradução para a rotina empresarial: o Confia não olha apenas para faturamento. Ele exige que a empresa prove organização, rastreabilidade, consistência e capacidade de explicar suas decisões tributárias.

Rodrigo Ribeiro 

Quais foram os prazos do Programa Confia?

Quais foram os prazos do Programa Confia

A primeira edição do Confia teve início operacional em 2026. O prazo original para requerer a certificação foi aberto às 8h de 26 de janeiro de 2026 e iria até 23h59min59s de 20 de fevereiro de 2026, no horário de Brasília.

Depois, a Receita Federal prorrogou o prazo até 20 de março de 2026 por meio da Portaria RFB nº 650, de 12 de fevereiro de 2026, publicada em 19 de fevereiro de 2026. A justificativa foi prática: grandes empresas costumam depender de ciclos internos de aprovação, com participação de áreas fiscais, jurídicas, financeiras, executivas e de compliance.

Esse detalhe é importante porque revela uma mensagem de gestão. A decisão de aderir a um programa de conformidade cooperativa não é só fiscal. Ela passa por governança corporativa, avaliação de riscos, autorização de executivos, alinhamento entre áreas e capacidade de sustentar compromissos perante o Fisco.

Marco Date O que significa para a empresa
Publicação da Portaria RFB nº 621/2025 08 de dezembro de 2025 Regulamentou vagas, prazo e condições da primeira edição do Confia.
Abertura do prazo de candidatura 26 de janeiro de 2026 Empresas aptas puderam iniciar o requerimento de certificação pelo e-CAC.
Prazo original 20 de fevereiro de 2026 Data inicialmente prevista para encerramento dos requerimentos.
Prorrogação pela Portaria RFB nº 650/2026 20 de março de 2026 Nova data final para candidatura à primeira edição.
Divulgação de requerimentos recebidos 23 de março de 2026 A Receita informou 51 requerimentos para 40 vagas iniciais.

Quem é impactado pelo Programa Confia?

O impacto direto recai sobre grandes contribuintes, especialmente empresas do Lucro Real, grupos econômicos com receita e débitos tributários relevantes, indústrias, multinacionais, importadoras, empresas com operações complexas e organizações classificadas pela Receita como pessoas jurídicas especiais.

Mas o impacto indireto é mais amplo. Empresas em crescimento, mesmo que ainda não se enquadrem nos critérios da primeira edição, devem acompanhar o movimento. Programas como o Confia tendem a elevar o padrão de mercado sobre controles fiscais, conciliação de declarações, documentação de decisões e prevenção de riscos.

Na prática, uma empresa que pretende crescer, captar investimentos, ampliar operações internacionais, participar de licitações, reduzir litigiosidade ou manter certidões negativas disponíveis precisa tratar governança fiscal como rotina. Não dá para deixar tudo para a véspera de uma fiscalização, de uma auditoria ou de uma operação societária.

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Por que o Confia importa para caixa, risco e crescimento?

Tributo não é só obrigação legal. Para empresas maiores, tributo afeta fluxo de caixa, margem, capacidade de investimento, previsibilidade de resultados e reputação institucional. Um erro recorrente em obrigações acessórias, uma inconsistência entre SPED e apurações, ou a perda de uma CND pode travar decisões importantes.

Empresas que não têm controles fiscais maduros ficam mais expostas a autuações, multas, retenção de certidões, discussões administrativas, processos judiciais e ruído com auditorias. Além do custo direto, existe o custo invisível: tempo de diretoria, insegurança para o financeiro, perda de previsibilidade e desgaste com stakeholders.

Por outro lado, uma estrutura fiscal bem organizada melhora a leitura do negócio. A empresa passa a identificar riscos antes que virem passivo, corrigir inconsistências com antecedência, revisar créditos tributários, sustentar decisões com documentação adequada e integrar a área fiscal ao planejamento estratégico.

É aqui que o Confia deve ser lido com olhar de CFO: compliance tributário não é centro de custo isolado. Quando bem feito, ele protege caixa, reduz surpresa, melhora a governança e cria condições para crescimento mais previsível.

Quais riscos a empresa corre ao ignorar essa tendência?

O primeiro risco é ficar fora de oportunidades de relacionamento cooperativo com a Receita Federal. Para empresas que se enquadram nos requisitos, não estar preparada pode significar perder uma janela relevante de certificação e diálogo qualificado com o Fisco.

O segundo risco é continuar operando com baixa visibilidade sobre obrigações fiscais. Isso acontece quando a empresa entrega declarações, apura tributos e responde fiscalizações sem uma visão integrada dos seus próprios dados. Em negócios complexos, esse modelo aumenta a chance de divergências entre contabilidade, fiscal, financeiro, jurídico e operações.

O terceiro risco é reputacional. Empresas com passivos tributários recorrentes, certidões instáveis ou litígios mal geridos podem enfrentar mais dificuldade em negociações comerciais, operações de crédito, auditorias, processos de venda, reorganizações societárias e expansão para novos mercados.

Em resumo: ignorar o Confia não é apenas ignorar uma norma. É ignorar um sinal de que a régua de conformidade tributária está subindo.

Quais oportunidades o Programa Confia cria?

A principal oportunidade é transformar a área fiscal em uma fonte de previsibilidade. Empresas que estruturam governança tributária conseguem mapear riscos, documentar posições, antecipar inconsistências e dialogar melhor com auditorias internas, auditorias externas, conselhos e órgãos fiscalizadores.

Outra oportunidade é reduzir litigiosidade. Quanto mais clara for a posição fiscal da empresa, menor tende a ser o espaço para surpresas. Isso não significa eliminar todas as discussões tributárias, porque empresas complexas naturalmente enfrentam temas interpretativos. 

Quais oportunidades o Programa Confia cria

Significa ter método, evidência e governança para sustentar cada decisão.

Também existe ganho de eficiência. Um bom processo de Tax BPO, combinado com tecnologia, conciliações periódicas e revisão de obrigações acessórias, reduz retrabalho e melhora a qualidade da informação usada pela liderança.

Para o empresário e para o CFO, essa maturidade facilita decisões de crescimento. A empresa passa a saber melhor onde estão os riscos, quais ajustes precisam ser feitos e quais números podem ser usados com confiança em planejamento, orçamento, captação, expansão e reorganização.

Como preparar sua empresa para o Programa Confia?

Mesmo que a empresa não vá se candidatar imediatamente, o caminho de preparação é parecido com o que qualquer organização madura deveria fazer para reduzir exposição fiscal. A diferença é que o Confia deixa essa necessidade mais evidente.

1. Faça um diagnóstico tributário completo

O primeiro passo é entender a situação real da empresa. Isso inclui revisar regime tributário, apurações, obrigações acessórias, créditos, débitos, parcelamentos, processos administrativos, processos judiciais, certidões, classificação fiscal de operações e consistência entre contabilidade e fiscal.

Empresas do Lucro Real precisam de atenção especial, porque a apuração depende de controles contábeis e fiscais mais detalhados. Nesse ponto, vale revisar também se as informações usadas em IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e demais tributos estão conciliadas com demonstrações financeiras, SPEDs e relatórios internos.

2. Concilie declarações e bases fiscais

Um erro comum é olhar cada obrigação isoladamente. A Receita cruza informações de diferentes bases, e inconsistências entre declarações podem gerar exposição mesmo quando a empresa acredita estar pagando corretamente.

Por isso, a preparação deve incluir conciliação entre ECD, ECF, EFD-Contribuições, EFD ICMS/IPI, DCTFWeb, notas fiscais, folha, PER/DCOMP, controles de créditos e sistemas internos. A pergunta central é simples: os dados contam a mesma história?

3. Regularize CND e CPEND

A certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa não pode ser tratada como documento emergencial. Ela precisa ser monitorada continuamente. Empresas que dependem de crédito, contratos relevantes, licitações, operações societárias ou importações sabem como uma certidão instável pode afetar o caixa e a operação.

Na lógica do Confia, regularidade fiscal é um indicativo de maturidade. Se a empresa só descobre pendências quando precisa da certidão, existe falha de processo.

4. Monte uma matriz de riscos tributários

A matriz de riscos ajuda a organizar temas por impacto financeiro, probabilidade, área responsável, documentação de suporte, plano de ação e status. Ela deve incluir riscos de apuração, riscos de obrigações acessórias, riscos de interpretação, riscos operacionais e riscos relacionados a autos de infração ou discussões em andamento.

Essa matriz não deve ficar apenas com o departamento fiscal. Para funcionar, precisa dialogar com jurídico, financeiro, contabilidade, compras, vendas, comércio exterior, tecnologia e liderança executiva.

5. Documente decisões tributárias relevantes

Empresas complexas tomam decisões fiscais o tempo todo: aproveitamento de créditos, classificação de receitas, tratamento de incentivos, retenções, operações entre empresas do grupo, importações, exportações, transfer pricing, benefícios fiscais e reorganizações.

O problema é que muitas decisões ficam dispersas em e-mails, planilhas ou memórias individuais. Para reduzir risco, a empresa precisa manter documentação clara: qual foi a decisão, qual base técnica foi usada, quem aprovou, quais áreas participaram e quando o entendimento deve ser revisado.

6. Integre governança fiscal e automação

Automação não resolve governança ruim, mas acelera uma governança bem desenhada. O ideal é combinar sistemas integrados, rotinas de conciliação, trilhas de auditoria, responsáveis definidos e indicadores de conformidade.

Empresas que ainda operam com controles manuais excessivos tendem a ter mais retrabalho, maior risco de erro e menor capacidade de resposta. Em um ambiente de cruzamento de dados, velocidade e qualidade da informação fazem diferença.

Checklist executivo para preparar a empresa

Frente Pergunta que a liderança deve fazer Ação recomendada
Tax compliance A empresa sabe hoje o status da sua CND ou CPEND? Monitorar certidões e corrigir pendências antes que virem bloqueio operacional.
Accessory obligations As declarações fiscais e contábeis estão conciliadas? Executar conciliações periódicas entre SPEDs, apurações, notas e contabilidade.
Riscos tributários Os principais riscos estão mapeados e priorizados? Criar matriz de riscos com impacto, probabilidade, responsável e plano de ação.
Documentação As decisões fiscais relevantes têm memória técnica? Formalizar pareceres, aprovações, evidências e critérios de revisão.
Governança Fiscal, contábil, jurídico e financeiro atuam de forma integrada? Definir fóruns, responsáveis, indicadores e rotina de reporte para a liderança.
Automation A empresa depende demais de planilhas manuais? Automatizar conciliações, controles e trilhas de auditoria sempre que possível.

O que muda para empresas que ainda não se enquadram no Confia?

Para empresas médias em crescimento, o Confia funciona como uma referência de maturidade. Talvez a empresa ainda não tenha faturamento, volume de débitos ou enquadramento para participar, mas pode começar agora a construir uma estrutura fiscal compatível com um negócio maior.

Esse ponto é especialmente relevante para empresas que pretendem crescer por aquisição, internacionalizar operações, aumentar importações, abrir novas unidades, captar investidores ou profissionalizar a gestão. Quanto mais tarde a governança fiscal entra na agenda, mais caro tende a ser corrigir o passado.

Empresas em expansão devem tratar o tema como preparação para a próxima fase do negócio. Isso inclui revisar processos, organizar documentos, melhorar indicadores, reduzir dependência de controles improvisados e buscar apoio especializado em contabilidade, fiscal e planejamento tributário.

How can CLM Controller help?

A preparação para um padrão mais alto de conformidade tributária exige método. Não basta saber que existe uma norma nova; é preciso transformar essa exigência em rotina empresarial.

A CLM Controller pode apoiar sua empresa com diagnóstico de compliance tributário, revisão de obrigações acessórias, conciliação fiscal e contábil, avaliação de regularidade fiscal, estruturação de matriz de riscos e melhoria dos processos de governança.

O objetivo é dar clareza para a liderança: onde estão os riscos, quais ajustes são prioritários, quais controles precisam ser fortalecidos e como reduzir exposição fiscal sem travar o crescimento.

Quer entender o nível de maturidade fiscal da sua empresa?

Solicite um diagnóstico de compliance tributário com a CLM Controller e veja quais pontos precisam ser corrigidos para aumentar previsibilidade, reduzir riscos e preparar sua empresa para crescer com mais segurança.

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