A partir de 2026, os lucros e dividendos distribuídos a sócios receberão retenção de 10% na fonte.

Essa mudança faz muitos empresários se perguntarem: compensa retirar recursos da pessoa jurídica para investir na pessoa física apesar desse imposto inicial?

Neste artigo, usamos um exemplo prático para mostrar em quantos anos a maior rentabilidade como pessoa física pode compensar o chamado “pedágio” do imposto sobre dividendos.

Premissas da simulação

Para simplificar a análise, adotamos as seguintes premissas realistas:

  • Valor disponível na PJ: R$ 100.000

  • Alíquota do imposto sobre dividendos (a partir de 2026): 10%

  • Rentabilidade bruta anual da aplicação: 10% a.a.

  • Tributação sobre rendimentos financeiros: 15% para a pessoa física e 34% para a pessoa jurídica (IRPJ+CSLL)

  • Reinvestimento dos rendimentos: todos os juros são reinvestidos anualmente

  • Horizonte de análise: longo prazo (vários anos)

Custo inicial da decisão (o “pedágio”)

Retirar R$100.000 da empresa em 2026 provoca um imposto de 10%, ou seja, R$10.000 a pagar na fonte. A tabela abaixo resume esse “pedágio” inicial:

Descrição Valor
Valor distribuído R$ 100.000
Imposto (10%) R$ 10.000
Capital líquido R$ 90.000

Após pagar o imposto, sobram R$90.000 para investir na pessoa física. Esse custo de R$10.000 precisa ser recuperado com a diferença de rentabilidade líquida ao longo do tempo.

Comparação da rentabilidade líquida

Comparação da rentabilidade líquida ()

Com as alíquotas definidas, a rentabilidade líquida anual de cada aplicação fica:

  • Pessoa Jurídica (PJ): retorno bruto de 10% a.a., menos 34% de imposto (IRPJ+CSLL), resulta em cerca de 6,6% a.a. líquido.

  • Pessoa Física (PF): retorno bruto de 10% a.a., menos 15% de imposto (IRPF), resulta em cerca de 8,5% a.a. líquido.

Em termos práticos, investir como PF rende 1,9 ponto percentual por ano a mais que reinvestir na PJ. Essa diferença anual (8,5% vs 6,6%) será a “força” que faz a pessoa física recuperar o imposto inicial pago.

Evolução do patrimônio ao longo do tempo

Considerando as rentabilidades líquidas acima, projetamos o valor futuro dos investimentos em alguns anos:

Tempo PJ (6,6% a.a.) PF (8,5% a.a.)
5 anos R$ 137.653 R$ 135.329
6 anos R$ 146.738 R$ 146.832
7 anos R$ 156.423 R$ 159.313
8 anos R$ 166.747 R$ 172.854

Percebe-se que, por volta de 5 anos, os valores ficam quase iguais. No 6º ano, o montante investido como PF ultrapassa o da PJ (R$146.832 > R$146.738). Esse é o ponto de equilíbrio: a partir daí, o saldo na PF recupera o imposto pago e começa a render mais do que ficaria aplicado na empresa.

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Vale a pena transferir para a PF se:

  • o dinheiro puder ficar investido por 6 anos ou mais;

  • for parte de reservas patrimoniais de longo prazo (não usado na operação da empresa);

  • o foco for a acumulação de patrimônio.

Pode não valer a pena se:

  • houver necessidade de reinvestir os recursos na empresa em curto prazo;

  • o horizonte de uso do dinheiro for curto (até 4–5 anos);

  • o capital for usado como giro operacional da empresa.

Cada caso deve considerar o prazo e o objetivo do recurso. A transferência para a PF faz sentido quando o investimento é de longo prazo e o empresário não precisa do capital na operação imediata. Caso contrário, a manutenção na PJ pode ser mais vantajosa, especialmente em horizontes curtos.

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Regra de bolso para decidir

  • Horizonte > 6 anos: PF tende a superar a PJ.

  • Horizonte < 5 anos: PJ pode fazer mais sentido.

  • Entre 5 e 6 anos: zona cinzenta (depende da rentabilidade real alcançada).

Essa regra simplificada ajuda a orientar decisões rápidas: horizonte longo favorece a pessoa física, prazos curtos favorecem deixar os recursos na empresa.

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Conclusão

O exemplo mostra que a decisão de retirar recursos da empresa não é só tributária, mas também estratégica. A “taxa de entrada” de 10% no imposto de dividendos só é amortizada no médio prazo. Pensar apenas no imposto inicial (o pedágio) pode levar a decisões equivocadas. Quem foca no fluxo de caixa futuro ou seja, nos rendimentos líquidos ao longo do tempo tende a acertar no planejamento. Assim, avaliar o horizonte de investimento e o uso do capital é essencial para decidir entre PJ e PF.

Sobre a CLM Controller

O CLM Controller é um escritório especializado em planejamento tributário e patrimonial para empresas e sócios. Contamos com expertise em simulação de cenários e análise de resultados para apoiar decisões estratégicas. Nossa equipe auxilia empresários a projetar alternativas como a retirada de dividendos, avaliando cenários e impactos fiscais para orientar as melhores ações de longo prazo.

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