A import on account é uma das modalidades mais utilizadas por empresas que desejam importar mercadorias sem estruturar internamente toda a operação de comércio exterior.

Ao mesmo tempo em que oferece praticidade, ganhos operacionais e acesso à expertise de empresas especializadas, essa modalidade exige atenção redobrada aos aspectos fiscais, aduaneiros e contábeis.

Muitos gestores conhecem o conceito de forma superficial e acabam confundindo a importação por conta e ordem com a importação por encomenda.

Embora ambas sejam modalidades de importação indireta, existem diferenças importantes relacionadas à propriedade da mercadoria, à responsabilidade tributária e ao enquadramento perante a Receita Federal.

Neste artigo, explicaremos como funciona a importação por conta e ordem, quais são seus benefícios, quais riscos precisam ser observados e como a contabilidade especializada contribui para a conformidade da operação.

What is import on account?

A import on account ocorre quando uma empresa contratante, chamada de adquirente, utiliza uma empresa importadora habilitada — normalmente uma trading company — para executar os procedimentos de importação em seu nome.

O que é importação por conta e ordem

Nessa modalidade, a mercadoria pertence ao adquirente desde a origem da operação. A trading atua apenas como prestadora de serviços de comércio exterior, realizando atividades como:

  • Negociação operacional da importação;
  • Contratação de frete internacional;
  • Coordenação logística;
  • Desembaraço aduaneiro;
  • Cumprimento das obrigações aduaneiras;
  • Nacionalização da mercadoria.

Embora a declaração de importação seja registrada pela trading, o verdadeiro proprietário econômico da mercadoria é a empresa adquirente.

Por esse motivo, a legislação exige total transparência na identificação dos envolvidos na operação.

Base legal da importação por conta e ordem

O principal normativo que regula a matéria é a RFB Normative Instruction No. 1,861/2018, que disciplina as operações de importação realizadas por conta e ordem de terceiro e por encomenda.

A norma estabelece os critérios para caracterização de cada modalidade, as obrigações das partes envolvidas e os procedimentos necessários para garantir a regularidade fiscal e aduaneira.

A Internal Revenue Service exige que tanto a trading quanto o adquirente estejam devidamente habilitados e que a operação seja registrada de forma clara nos sistemas oficiais.

O objetivo é evitar práticas irregulares que possam ocultar o verdadeiro importador ou dificultar a fiscalização.

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Como funciona a importação por conta e ordem na prática?

Para entender melhor o modelo, imagine uma indústria brasileira que deseja importar máquinas da Ásia.

A empresa possui recursos financeiros para adquirir os equipamentos, mas não possui estrutura interna especializada para conduzir a operação internacional.

Nesse caso, ela contrata uma trading habilitada. O fluxo normalmente ocorre da seguinte forma:

  1. O adquirente negocia a compra da mercadoria.
  2. A trading é contratada para operacionalizar a importação.
  3. Os recursos financeiros utilizados na aquisição pertencem ao adquirente.
  4. A trading registra a operação de importação.
  5. O desembaraço aduaneiro é realizado.
  6. A mercadoria é entregue ao adquirente.

Embora a trading apareça formalmente em determinadas etapas da operação, ela não é a compradora efetiva da mercadoria. Sua atuação é limitada à prestação dos serviços de comércio exterior.

Qual a diferença entre importação por conta e ordem e importação por encomenda?

Qual a diferença entre importação por conta e ordem e importação por encomenda

Essa é uma das dúvidas mais frequentes entre gestores que atuam com comércio exterior.

Apesar das semelhanças operacionais, as duas modalidades possuem características bastante distintas.

Import on account

In importação por conta e ordem:

  • O adquirente fornece os recursos financeiros;
  • A mercadoria pertence ao adquirente desde a origem;
  • A trading atua como prestadora de serviços;
  • Existe identificação formal do adquirente na operação.

Import to order

In importação por encomenda:

  • A trading utiliza recursos próprios para importar;
  • A mercadoria é adquirida inicialmente pela importadora;
  • Posteriormente ocorre a revenda ao encomendante;
  • O risco comercial inicial pertence à importadora.

Essa diferença é extremamente importante porque impacta diretamente o tratamento tributário e as responsabilidades legais das partes.

Quais são as responsabilidades da trading?

Embora não seja a proprietária econômica da mercadoria na importação por conta e ordem, a trading possui responsabilidades relevantes.

Entre elas:

  • Cumprir a legislação aduaneira;
  • Registrar corretamente a declaração de importação;
  • Informar o adquirente real da mercadoria;
  • Manter documentação comprobatória;
  • Atender exigências da Receita Federal;
  • Garantir a conformidade operacional.

A atuação da trading exige elevado nível de controle documental, uma vez que qualquer inconsistência pode gerar questionamentos fiscais.

Por isso, a escolha da empresa parceira deve ser feita com bastante critério.

Quais são as responsabilidades do adquirente?

O adquirente também possui obrigações importantes. A Internal Revenue Service entende que ele é o verdadeiro importador econômico da operação.

Dessa forma, cabe à empresa:

  • Disponibilizar os recursos financeiros da compra;
  • Comprovar a origem dos recursos;
  • Manter documentação da operação;
  • Registrar corretamente os ativos adquiridos;
  • Cumprir obrigações fiscais e contábeis relacionadas à importação.

A participação ativa do adquirente é fundamental para garantir a regularidade da operação. Não se trata de uma simples terceirização integral da responsabilidade.

Existem vantagens fiscais na importação por conta e ordem?

Embora muitas empresas procurem essa modalidade por razões operacionais, ela também pode trazer benefícios estratégicos.

Entre os principais estão:

Aproveitamento de expertise especializada – A trading possui conhecimento técnico sobre:

  • Classificação fiscal;
  • Procedimentos aduaneiros;
  • Licenciamento;
  • Logística internacional;
  • Regimes especiais.

Isso reduz erros operacionais que podem gerar custos tributários desnecessários.

Melhor gestão dos créditos tributários – Uma operação corretamente estruturada facilita a identificação e o aproveitamento de créditos de ICMS, IPI, PIS e Cofins quando permitidos pela legislação.

Redução de riscos de compliance – A atuação de especialistas reduz a probabilidade de inconsistências fiscais e aduaneiras.

Isso gera maior segurança para empresas que não possuem departamento próprio de comércio exterior.

Ganhos operacionais – A terceirização da operação permite que a empresa concentre seus esforços na atividade principal do negócio.

O que é interposição fraudulenta de terceiros?

Entre todos os riscos relacionados à importação indireta, a interposição fraudulenta merece atenção especial. Esse é um dos temas mais fiscalizados pela Receita Federal.

A interposição fraudulenta ocorre quando uma empresa é utilizada para ocultar o verdadeiro importador da operação. Na prática, a Receita entende que houve tentativa de mascarar quem efetivamente realizou a importação.

As consequências podem ser severas.

Entre elas:

  • Multas elevadas;
  • Perdimento de mercadorias;
  • Suspensão de habilitações;
  • Processos administrativos;
  • Questionamentos fiscais.

Por isso, todas as operações devem ser realizadas com total transparência documental. A identificação do adquirente precisa ser clara e compatível com a realidade econômica da transação.

Quais erros mais geram autuações em operações por conta e ordem?

Diversos problemas podem colocar a operação sob risco. Entre os mais comuns estão:

Falta de documentação adequada: Contratos mal elaborados ou ausência de documentos comprobatórios frequentemente geram questionamentos.

Divergência financeira: Quando os recursos utilizados não podem ser claramente vinculados ao adquirente, surgem riscos de caracterização irregular da operação.

Classificação fiscal incorreta: Erros no enquadramento fiscal dos produtos podem resultar em diferenças tributárias significativas.

Inconsistências contábeis: A contabilização inadequada da importação costuma chamar a atenção dos órgãos fiscalizadores.

Escolha inadequada da trading: Empresas sem estrutura, experiência ou conformidade podem expor seus clientes a riscos desnecessários.

Quando a importação por conta e ordem faz mais sentido?

A import on account costuma ser especialmente vantajosa para empresas que:

  • Estão iniciando operações internacionais;
  • Não possuem departamento próprio de comércio exterior;
  • Desejam importar com maior eficiência operacional;
  • Buscam apoio técnico especializado;
  • Precisam de suporte logístico e aduaneiro.

Indústrias e varejistas frequentemente utilizam esse modelo para acelerar suas operações e reduzir a complexidade administrativa.

Por outro lado, empresas com grande volume de importações e estrutura própria consolidada podem avaliar outras alternativas estratégicas.

A decisão deve considerar fatores operacionais, tributários e financeiros.

O papel da contabilidade na conformidade das importações

Muitos gestores enxergam a contabilidade apenas como responsável pelos registros fiscais da operação. Na realidade, sua participação é muito mais estratégica.

One specialized accounting em comércio exterior contribui para:

  • Planejamento tributário das importações;
  • Validação dos documentos fiscais;
  • Control of tax credits;
  • Revisão de classificações fiscais;
  • Conciliação contábil da operação;
  • Atendimento a fiscalizações;
  • Monitoramento de riscos regulatórios.
O papel da contabilidade na conformidade das importações

Além disso, auxilia na integração entre os setores fiscal, financeiro, aduaneiro e operacional.

Essa visão integrada é fundamental para empresas que buscam crescimento sustentável no comércio internacional.

Como estruturar uma operação segura de importação por conta e ordem?

A segurança da operação depende da combinação de diversos fatores.

Entre as principais recomendações estão:

  • Selecionar uma trading com histórico sólido;
  • Formalizar contratos detalhados;
  • Manter documentação organizada;
  • Garantir transparência financeira;
  • Validar corretamente a classificação fiscal;
  • Monitorar a tributação aplicável;
  • Contar com suporte contábil especializado.

Quanto maior o volume importado, maior a importância de processos robustos de governança e compliance.

Conclusion

A import on account é uma ferramenta extremamente relevante para empresas que desejam acessar o mercado internacional sem assumir toda a complexidade operacional do comércio exterior.

Quando estruturada corretamente, ela oferece vantagens importantes relacionadas à eficiência operacional, conformidade regulatória e aproveitamento da expertise de empresas especializadas.

Entretanto, os benefícios somente se concretizam quando a operação é conduzida com transparência, documentação adequada e alinhamento às exigências da Receita Federal.

Questões relacionadas à tributação, classificação fiscal, interposição fraudulenta e aproveitamento de créditos exigem acompanhamento técnico constante.

Por isso, contar com uma assessoria contábil especializada faz toda a diferença para reduzir riscos e maximizar os resultados da operação.

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