O split payment é uma das principais mudanças da Reforma Tributária brasileira e exigirá que empresas de todos os portes adaptem seus processos financeiros e fiscais.

Na prática, o split payment altera a forma como tributos sobre o consumo serão recolhidos. Em vez de o fornecedor receber o valor total da venda para depois recolher os impostos ao governo, o pagamento será destinado diretamente ao Fisco no momento da liquidação da operação.

Essa mudança impacta desde o setor financeiro até a emissão de notas fiscais, passando pelo ERP, controle de caixa, conciliação bancária, gestão tributária e relacionamento com clientes e fornecedores.

Neste artigo, você entenderá como funciona o split payment, quais empresas serão afetadas, quais são os principais desafios e, principalmente, como preparar sua empresa para operar nesse novo cenário com segurança.

O que é split payment?

O split payment é um mecanismo criado no âmbito da Reforma Tributária para facilitar o recolhimento da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).

Em tradução literal, o nome significa “pagamento dividido”. Sendo assim, em vez de todo o valor pago pelo comprador ser transferido ao vendedor, a parcela correspondente aos tributos será separada automaticamente durante a transação.

De forma simplificada, imagine uma venda de R$ 10.000.

No modelo atual, o cliente paga R$ 10.000 ao vendedor, que posteriormente calcula e recolhe seus tributos.

Com o split payment, o fluxo poderá funcionar de maneira diferente:

O que é split payment
  • Parte do pagamento vai diretamente para o vendedor;
  • Outra parte é direcionada automaticamente aos cofres públicos;
  • O crédito tributário do comprador é reconhecido de forma praticamente imediata.

O objetivo é reduzir a inadimplência tributária, combater fraudes, diminuir sonegação e tornar a utilização dos créditos mais eficiente dentro do modelo do IVA Dual.

Por que o split payment foi criado?

A Reforma Tributária tem como uma de suas premissas reduzir a cumulatividade dos tributos e tornar o sistema mais transparente.

Hoje, um dos grandes problemas enfrentados pelo governo é que algumas empresas recebem dos clientes valores correspondentes aos impostos, mas deixam de realizar o recolhimento posteriormente.

Isso gera:

  • Concorrência desleal;
  • Aumento da evasão fiscal;
  • Dificuldades na utilização dos créditos tributários;
  • Insegurança jurídica.

Com o split payment, o recolhimento acontece praticamente no momento da liquidação financeira da operação, reduzindo significativamente esse risco.

Além disso, o sistema facilita o funcionamento do crédito financeiro adotado pelo IBS e pela CBS, já que o comprador terá maior segurança de que o imposto foi efetivamente recolhido.

Como o split payment funcionará na prática?

Embora diversos detalhes operacionais ainda estejam sendo regulamentados, a lógica geral já está definida.

Em uma operação comercial, ocorrerão basicamente as seguintes etapas:

  1. A empresa emite a nota fiscal normalmente.
  2. O sistema identifica o valor correspondente ao IBS e à CBS.
  3. O comprador realiza o pagamento.
  4. O sistema financeiro separa automaticamente os valores.
  5. A parcela referente aos tributos é destinada ao governo.
  6. O vendedor recebe apenas o valor líquido da operação.

Na prática, será necessária uma forte integração entre:

  • Sistemas de emissão de notas;
  • Meios de pagamento;
  • Instituições financeiras;
  • Plataformas governamentais;
  • ERPs empresariais.

Quanto maior o nível de automação da empresa, menor tende a ser o impacto operacional.

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Quais empresas serão afetadas pelo split payment?

Todas as empresas sujeitas ao IBS e à CBS deverão conviver com o split payment.

Isso inclui organizações dos mais diversos segmentos, como:

  • Indústria;
  • Comércio;
  • Prestação de serviços;
  • Importadores;
  • Distribuidores;
  • Atacadistas;
  • Empresas de tecnologia;
  • E-commerce;
  •  

Além disso, negócios que atuam no mercado B2B deverão acompanhar com bastante atenção a regulamentação, já que o aproveitamento dos créditos tributários será um fator importante na competitividade.

Como preparar sua empresa para o split payment?

A preparação deve começar muito antes da obrigatoriedade. Empresas que iniciarem essa adaptação de forma antecipada terão mais tempo para corrigir processos, testar sistemas e treinar equipes.

Veja as principais ações.

1.Faça um diagnóstico dos processos atuais

O primeiro passo consiste em entender como sua empresa trabalha atualmente.

Mapeie:

  • Emissão de notas fiscais;
  • Processo de faturamento;
  • Contas a receber;
  • Contas a pagar;
  • Conciliação bancária;
  • Apuração de tributos;
  • Integração entre sistemas.

Esse levantamento permitirá identificar gargalos que podem dificultar a adoção do split payment.

2.Revise seu ERP

Nem todos os sistemas atuais estão preparados para atender às novas exigências da Reforma Tributária.

Por isso, converse desde já com o fornecedor do ERP para verificar:

  • Cronograma de atualização;
  • Integração com meios de pagamento;
  • Adequação ao IBS;
  • Adequação à CBS;
  • Geração dos novos documentos fiscais;
  • Controle dos créditos tributários.

Empresas que utilizam sistemas muito antigos podem precisar migrar para plataformas mais modernas.

3.Atualize os processos financeiros

O fluxo de caixa sofrerá alterações importantes. Hoje, muitas empresas utilizam o valor total recebido das vendas para administrar capital de giro até a data do recolhimento dos tributos.

Com o split payment, parte desse recurso poderá deixar de ingressar no caixa da empresa.

Por isso, será necessário revisar:

  • Projeções financeiras;
  • Capital de giro;
  • Necessidades de financiamento;
  • Gestão de liquidez;
  • Políticas de recebimento.

Quanto antes essa simulação for realizada, menor será o impacto futuro.

4.Revise contratos

Os contratos comerciais também poderão precisar de ajustes. Vale verificar cláusulas relacionadas a:

  • Forma de pagamento;
  • Retenções;
  • Faturamento;
  • Reajustes;
  • Responsabilidade tributária;
  • Prazos financeiros.

Essa revisão evita conflitos entre clientes e fornecedores durante a transição.

Como uma contabilidade consultiva pode ajudar?

A implementação do split payment vai muito além da simples atualização da legislação tributária. Ela exige planejamento, revisão de processos e acompanhamento constante das regulamentações que ainda serão publicadas.

Nesse contexto, contar com uma contabilidade consultiva faz toda a diferença. Além de garantir conformidade fiscal, uma assessoria especializada pode:

  • Avaliar os impactos específicos para o seu negócio;
  • Revisar o planejamento tributário;
  • Orientar a adequação dos sistemas;
  • Auxiliar na reorganização do fluxo de caixa.

Para empresas de médio e grande porte, esse suporte torna-se ainda mais estratégico, pois pequenas falhas operacionais podem representar custos elevados ou comprometer a eficiência financeira.

Não deixe para a última hora, comece a preparar a sua empresa com o apoio do nosso time de contadores! Clique no botão do WhatsApp e entre em contato conosco!

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