Importar mercadorias para o Brasil envolve muito mais do que negociar com um fornecedor estrangeiro e contratar o transporte internacional.

Antes de o produto chegar ao estoque da empresa, é necessário lidar com classificação fiscal, documentação comercial, câmbio, transporte, seguros, tributos, controles administrativos, Siscomex, órgãos anuentes e procedimentos de despacho aduaneiro.

Uma falha em qualquer uma dessas etapas pode resultar em mercadorias paradas, custos adicionais de armazenagem, recolhimento incorreto de tributos, problemas na formação do preço de venda ou até penalidades.

Esse cenário ganhou ainda mais relevância em 2026, com a expansão do Novo Processo de Importação e a substituição gradual da antiga Declaração de Importação, a DI, pela Declaração Única de Importação, a Duimp.

O Portal Único Siscomex também passou a receber adaptações relacionadas à Reforma Tributária, tornando necessária uma integração ainda maior entre logística, fiscal, tributário e contabilidade.

Entenda como funciona a logística aduaneira e por que uma contabilidade especializada em comércio exterior pode fazer diferença nesse processo.

O que é logística aduaneira?

Logística aduaneira é o conjunto de processos envolvidos na movimentação internacional de mercadorias e no cumprimento das exigências necessárias para sua entrada ou saída do país.

Ela começa antes mesmo do embarque internacional.

Uma importação bem estruturada precisa considerar desde a negociação comercial e escolha do Incoterm até a classificação fiscal, transporte, seguro, documentação, tratamento administrativo, despacho aduaneiro, pagamento de tributos e entrada da mercadoria no estoque.

Por isso, logística e tributação não podem ser analisadas separadamente.

Uma decisão aparentemente logística pode modificar significativamente o custo tributário e financeiro da operação.

Qual a diferença entre importação por conta e ordem e importação por encomenda
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O processo de importação mudou

Durante muitos anos, a Declaração de Importação, DI, foi um dos principais documentos utilizados no despacho aduaneiro brasileiro.

Esse cenário está mudando.

O governo federal está executando o cronograma de desligamento do Siscomex DI e ampliando progressivamente a obrigatoriedade da Duimp, Declaração Única de Importação, dentro do Novo Processo de Importação.

O cronograma oficial, atualizado em setembro de 2026, determina as operações que já precisam utilizar LPCO e Duimp e aquelas que ainda permanecem temporariamente no sistema anterior. Algumas situações específicas continuam em transição ao longo de 2026.

Isso significa que uma empresa importadora não deve mais estruturar seus processos considerando somente a antiga lógica LI/DI.

É necessário acompanhar qual sistema deve ser utilizado em cada operação.

Consulte o cronograma oficial de migração para a Duimp

O que é a Duimp?

A Duimp reúne diversas informações necessárias ao processo de importação em uma única declaração eletrônica.

Um dos objetivos do Novo Processo de Importação é integrar etapas que anteriormente estavam distribuídas entre diferentes sistemas e documentos.

A utilização da Duimp também permite maior integração com outros módulos do Portal Único, especialmente o Catálogo de Produtos e o LPCO.

Em 2026, grande parte das operações já está disponível no novo modelo, enquanto determinadas situações continuam seguindo o cronograma oficial de migração.

Para empresas importadoras, isso exige adaptação de cadastros, sistemas internos, procedimentos fiscais e controles contábeis.

LPCO: o que mudou no licenciamento das importações?

Outro conceito que ganhou importância no Novo Processo de Importação é o LPCO, sigla para Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos.

Dependendo da mercadoria importada, sua classificação fiscal, características e finalidade, a operação pode estar sujeita ao controle de órgãos anuentes.

Nesse caso, pode ser necessário solicitar um LPCO antes ou durante determinadas etapas do processo.

O próprio Siscomex orienta que o tratamento administrativo deve ser consultado para cada operação, já que uma mesma NCM pode possuir exigências diferentes dependendo dos atributos da mercadoria.

Produtos sujeitos a controle sanitário, metrológico, ambiental, agrícola ou relacionados a produtos controlados, por exemplo, podem exigir anuência específica.

Por isso, simplesmente conhecer o código NCM não é suficiente.

É necessário entender também os atributos associados à mercadoria.

Catálogo de Produtos: uma nova peça central da importação

O Catálogo de Produtos é um dos elementos mais importantes do Novo Processo de Importação.

Trata-se de um módulo do Portal Único Siscomex no qual o importador mantém informações sobre os produtos importados e sobre seus operadores estrangeiros.

Essas informações podem ser reutilizadas posteriormente na elaboração de Duimp e LPCO.

Na prática, isso torna a qualidade do cadastro extremamente importante.

Uma descrição incompleta ou atributos preenchidos incorretamente podem influenciar tratamento administrativo, licenciamento e até a identificação tributária da operação.

Por isso, empresas com grande quantidade de SKUs importados precisam estruturar processos sólidos de cadastro e revisão das informações.

A importância da NCM na logística aduaneira

A Nomenclatura Comum do Mercosul, NCM, possui papel central no comércio exterior.

Segundo a Receita Federal, a classificação fiscal é utilizada para determinar tributos, tratamentos administrativos, regimes aduaneiros e diversas outras regras aplicáveis à mercadoria.

Isso significa que utilizar uma NCM incorreta pode gerar consequências em diferentes áreas da operação.

Uma classificação inadequada pode resultar em pagamento maior ou menor de tributos, necessidade de licenciamento não identificada, aplicação incorreta de benefícios fiscais e problemas durante uma fiscalização.

Em outubro de 2026, por exemplo, novas alterações de NCM continuam modificando tratamentos administrativos e exigências de LPCO para determinados produtos, mostrando por que esse cadastro precisa ser constantemente revisado.

Incoterms também influenciam o processo

Os Incoterms definem responsabilidades entre comprador e vendedor em operações internacionais.

Eles ajudam a determinar quem será responsável por custos e riscos relacionados a transporte, seguro e entrega da mercadoria.

Termos como EXW, FCA, FOB, CFR, CIF, CPT e DAP podem produzir estruturas logísticas diferentes.

Em maio de 2026, o Siscomex publicou inclusive regras específicas relacionadas ao uso de determinados grupos de Incoterms dentro da Duimp. Dependendo da combinação utilizada e do método de valoração aduaneira, operações podem precisar ser separadas em mais de uma declaração.

Por isso, o Incoterm não deve ser escolhido apenas pelo departamento comercial.

Ele pode afetar logística, documentação, valor aduaneiro e custo total da importação.

Veja o guia de Incoterms da CLM Controller

Quais custos precisam ser considerados em uma importação?

Um dos erros mais comuns das empresas é analisar apenas o preço pago ao fornecedor estrangeiro.

O custo efetivo da mercadoria importada pode incluir diversos componentes, como valor do produto, frete internacional, seguro, Imposto de Importação, IPI quando aplicável, PIS-Importação e Cofins-Importação durante a sistemática vigente em 2026, ICMS, AFRMM nas operações marítimas aplicáveis, Taxa Siscomex, armazenagem, capatazia, despacho aduaneiro, transporte nacional e outras despesas de nacionalização.

A incidência efetiva depende da mercadoria, NCM, operação, origem, destino, regime tributário e benefícios eventualmente aplicáveis.

Por isso, não existe uma fórmula universal válida para toda importação.

A CLM possui um Simulador de Custo de Importação por Regime Tributário, que permite comparar estimativas de desembolso, créditos recuperáveis e custo líquido da mercadoria no Lucro Real e no Lucro Presumido.

Acesse o Simulador de Custo de Importação da CLM

Valor aduaneiro não é simplesmente o preço da mercadoria

Outro conceito fundamental é o valor aduaneiro.

Dependendo das condições da operação, outros elementos além do valor comercial da mercadoria podem precisar ser considerados para sua determinação.

Isso torna importante analisar corretamente a documentação comercial, o Incoterm, o frete internacional, o seguro e outros valores relacionados à operação.

Erros nessa etapa podem impactar diretamente a base utilizada para determinados tributos.

É justamente por isso que logística, fiscal e contabilidade precisam trabalhar com a mesma informação.

Câmbio também interfere no resultado da importação

Uma importação envolve ainda uma variável que empresas exclusivamente nacionais muitas vezes não enfrentam com a mesma intensidade: a variação cambial.

Entre a negociação, o embarque, o registro da operação, o pagamento ao fornecedor e o efetivo recebimento da mercadoria, a moeda estrangeira pode se valorizar ou desvalorizar.

Essas diferenças precisam ser corretamente reconhecidas contabilmente.

Além de afetar o resultado financeiro, a variação cambial pode alterar substancialmente a margem prevista para determinada importação.

Uma empresa pode comprar um produto aparentemente lucrativo em dólar e descobrir algumas semanas depois que a margem caiu significativamente em reais.

Por isso, projeções de importação precisam trabalhar com diferentes cenários cambiais.

Contabilização correta do estoque importado

Nem todo valor pago durante uma importação deve ser tratado da mesma maneira.

Existem tributos recuperáveis, tributos não recuperáveis, despesas que podem compor o custo da mercadoria e valores que precisam receber outro tratamento contábil.

Essa separação interfere diretamente na formação do estoque e, posteriormente, no custo da mercadoria vendida.

Se o custo da importação for registrado incorretamente, a empresa pode calcular uma margem de lucro que simplesmente não existe.

Isso afeta preço de venda, resultados financeiros, indicadores de rentabilidade e decisões comerciais.

É nesse ponto que a participação da contabilidade deixa de ser apenas uma obrigação fiscal e passa a influenciar diretamente a estratégia da empresa.

Reforma Tributária e importações: o que muda?

A Reforma Tributária acrescenta uma nova camada ao planejamento das operações internacionais.

Em 2026, as importações ainda seguem, de maneira geral, a estrutura tributária atual aplicável ao período. Entretanto, os sistemas aduaneiros já estão sendo preparados para IBS e CBS.

Desde 27 de setembro de 2026, a Duimp em ambiente de produção passou a possuir novos campos destinados ao cálculo dos tributos da Reforma Tributária por item.

Entre as informações adicionadas estão a UF e o município do local da operação de consumo, necessários para tratamento do IBS e da CBS.

Existe, porém, uma diferença importante:

em 2026, os valores de IBS e CBS calculados nesses campos da Duimp não devem ser recolhidos.

A própria Receita Federal deixa essa orientação expressa no manual da Duimp.

Isso faz de 2026 um período importante de adaptação de sistemas, cadastros e processos internos.

Empresas que importam regularmente precisam analisar desde já como suas operações serão impactadas pela transição tributária.

Como a contabilidade ajuda na logística aduaneira?

O despachante aduaneiro possui papel importante no processo operacional de despacho. A contabilidade, por sua vez, atua em outra camada da operação.

Ela conecta os eventos aduaneiros às consequências fiscais, financeiras e patrimoniais da importação.

Na prática, uma contabilidade especializada pode auxiliar no acompanhamento da classificação tributária, análise do custo da operação, conferência de tributos, reconhecimento de créditos recuperáveis, contabilização do estoque, variação cambial, conciliações, formação do custo e planejamento tributário.

Essa integração é especialmente importante para empresas que importam com frequência ou possuem grande volume financeiro envolvido nas operações.

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Planejamento antes do embarque pode evitar prejuízos

Muitos problemas de importação não começam na alfândega.

Começam antes mesmo de a mercadoria deixar o país de origem.

Uma NCM incorreta, um Incoterm inadequado, uma ausência de LPCO, um cálculo tributário incompleto ou uma formação de preço equivocada podem transformar uma operação aparentemente lucrativa em prejuízo.

Por isso, o ideal é realizar a análise tributária e financeira antes do fechamento da compra internacional.

Uma simulação prévia permite comparar custo do produto, despesas logísticas, tributos, créditos recuperáveis e margem esperada.

Essa informação ajuda a empresa a decidir se realmente vale a pena importar determinada mercadoria.

Principais erros que podem aumentar o custo de uma importação

Entre os problemas mais comuns estão: classificação incorreta da NCM; cadastro incompleto no Catálogo de Produtos; desconhecimento sobre LPCO e órgãos anuentes; cálculo errado dos tributos; escolha inadequada de Incoterm; ausência de controle cambial; formação incorreta do custo do estoque; falta de integração entre logística e contabilidade; desconhecimento de benefícios ou regimes aduaneiros; e falta de atualização em relação à migração para Duimp.

Muitos desses erros não aparecem imediatamente.

Às vezes, o produto é desembaraçado normalmente, mas o problema aparece posteriormente durante uma fiscalização, auditoria, apuração de tributos ou análise das margens da empresa.

Logística eficiente também depende de inteligência tributária

Reduzir o custo de uma importação não significa simplesmente encontrar o frete mais barato.

Uma operação realmente eficiente precisa considerar logística, tributação, contabilidade e estratégia financeira em conjunto.

Duas empresas podem importar exatamente a mesma mercadoria pelo mesmo preço e terminar com custos líquidos muito diferentes dependendo de sua estrutura tributária, localização, aproveitamento de créditos, Incoterm e planejamento da operação.

Esse tipo de análise ganha ainda mais importância com a transição para IBS e CBS.

Saiba mais sobre planejamento tributário para empresas de comércio exterior

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Perguntas frequentes sobre logística aduaneira

O que é logística aduaneira?

É o conjunto de processos relacionados à movimentação internacional de mercadorias e ao cumprimento das exigências aduaneiras, fiscais e administrativas necessárias para importar ou exportar.

O que é Duimp?

A Duimp é a Declaração Única de Importação utilizada no Novo Processo de Importação do Portal Único Siscomex. Ela está substituindo gradualmente a antiga Declaração de Importação conforme cronograma oficial do governo.

DI e LI deixaram de existir?

O processo está em transição. Diversas operações já são obrigatoriamente realizadas por Duimp/LPCO, enquanto algumas situações ainda permanecem temporariamente no modelo anterior. O importador precisa consultar o cronograma oficial antes de cada operação.

O que é LPCO?

LPCO significa Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos. Dependendo da mercadoria e de seu tratamento administrativo, pode ser necessária anuência de órgãos governamentais.

Para que serve o Catálogo de Produtos?

O módulo permite cadastrar produtos e operadores estrangeiros para reutilização das informações em Duimp e LPCO.

Por que a NCM é tão importante?

A NCM influencia tributos, tratamento administrativo, regimes aduaneiros e outras regras aplicáveis à importação.

IBS e CBS já são pagos na importação em 2026?

Os campos destinados ao cálculo desses tributos já foram incorporados à Duimp em setembro de 2026, mas a Receita Federal informa que os valores calculados em 2026 não devem ser recolhidos.

Como saber o custo real de uma importação?

É necessário considerar valor da mercadoria, câmbio, transporte, seguro, tributos, taxas, despesas de desembaraço, armazenagem e tratamento contábil dos créditos recuperáveis.

Contabilidade especializada torna a importação mais previsível

Importar envolve decisões que ultrapassam a logística.

Classificação fiscal, tributação, câmbio, custo de estoque, documentação e planejamento financeiro estão conectados.

Com a expansão da Duimp, do LPCO e do Catálogo de Produtos e o avanço da Reforma Tributária, essa integração se tornou ainda mais necessária.

A CLM Controller possui experiência no atendimento a importadoras, exportadoras, trading companies e empresas com operações internacionais, oferecendo suporte contábil, fiscal, financeiro e tributário.

Antes de realizar uma nova importação, vale analisar não apenas quanto custa comprar a mercadoria no exterior, mas quanto ela efetivamente custará depois de nacionalizada.

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4 thoughts on “A importância da contabilidade na Logística Aduaneira”

      • Alex Burim says:

        Olá Carlos,
        Agradecemos o interesse!
        Grande abraço…

    • Alex Burim says:

      Mais uma vez, queremos agradecer o elogio e o interesse nos conteúdos que postamos em nosso blog!
      Tudo de bom pra vc…

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