Atualização em 15/10/2026: a PEC 221/2019, que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, foi aprovada pelo Senado Federal em dois turnos no dia 14 de outubro de 2026 e segue agora para promulgação pelo Congresso Nacional. O texto aprovado estabelece a transição da jornada máxima semanal de 44 para 42 horas após dois meses da promulgação e, posteriormente, para 40 horas semanais, além de garantir dois dias de repouso remunerado por semana, sem redução salarial.

A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou força nos últimos anos e passou a fazer parte das principais pautas relacionadas às relações de trabalho no Brasil.

A possibilidade de uma mudança legislativa que reduza a jornada semanal dos trabalhadores tem despertado preocupação em empresários, gestores financeiros, profissionais de recursos humanos e lideranças corporativas.

Embora as novas regras ainda dependam da promulgação e do início dos prazos de transição previstos no texto, a aprovação definitiva da PEC 221/2019 pelo Congresso torna a adaptação à nova jornada uma questão concreta para as empresas brasileiras, especialmente aquelas que dependem de escalas presenciais, atendimento contínuo e operações distribuídas ao longo da semana.

Para organizações que dependem de equipes presenciais, atendimento contínuo, produção industrial, operações comerciais ou prestação de serviços recorrentes, a adaptação exigirá planejamento antecipado.

Afinal, mudanças na jornada de trabalho podem impactar diretamente custos com folha de pagamento, produtividade, escalas, contratações e até mesmo a rentabilidade do negócio.

Neste artigo, vamos analisar o estágio atual da proposta, os possíveis impactos da redução gradual da jornada semanal e como sua empresa pode se preparar desde já para diferentes cenários.

 

 

O que é a escala 6×1 e por que ela está sendo discutida?

A escala 6×1 é um modelo de jornada em que o colaborador trabalha durante seis dias consecutivos e possui um dia de descanso.

Esse formato é amplamente utilizado em diversos setores da economia brasileira, especialmente em:

O que é a escala x e por que ela está sendo discutida
  • Comércio varejista;
  • Supermercados;
  • Farmácias;
  • Indústrias;
  • Hospitais e clínicas;
  • Hotéis;
  • Restaurantes;
  • Empresas de logística;
  • Centros de distribuição.

Apesar de ser legalmente permitido, muitos especialistas em saúde ocupacional defendem que jornadas mais extensas podem aumentar níveis de estresse, fadiga e desgaste emocional dos trabalhadores.

Por outro lado, representantes empresariais alertam que mudanças abruptas podem elevar significativamente os custos operacionais das empresas, especialmente em setores com margens reduzidas.

O debate busca encontrar um equilíbrio entre qualidade de vida dos colaboradores e sustentabilidade econômica das organizações.

O principal marco dessa discussão é a PEC 221/2019, aprovada pelo Senado Federal em dois turnos em 14 de outubro de 2026 após já ter sido aprovada pela Câmara dos Deputados. O texto determina a substituição da escala 6×1 por uma organização do trabalho com dois dias de repouso semanal remunerado e estabelece uma redução gradual da jornada máxima: inicialmente de 44 para 42 horas semanais e, posteriormente, para 40 horas semanais, sem redução salarial. A proposta segue agora para promulgação.

O que muda com o fim da escala 6×1?

Com a aprovação da PEC 221/2019 pelo Senado Federal, as empresas precisam começar a considerar um novo modelo de organização da jornada de trabalho. O texto estabelece dois dias de repouso semanal remunerado e uma redução gradual da jornada máxima de trabalho, que passará das atuais 44 horas para 42 horas e, posteriormente, para 40 horas semanais, sem redução salarial.

A mudança não ocorrerá imediatamente após a promulgação. Pelo texto aprovado, a jornada máxima será reduzida para 42 horas semanais dois meses depois da promulgação da Emenda Constitucional. Um ano após essa primeira redução, o limite passará para 40 horas semanais.

Na prática, empresas que atualmente utilizam a escala 6×1 deverão revisar escalas, turnos, banco de horas, horas extras, dimensionamento das equipes e modelos de contratação para garantir a continuidade das operações dentro dos novos limites constitucionais.

Necessidade de mais colaboradores

Empresas que funcionam seis ou sete dias por semana poderão precisar redimensionar suas equipes, reorganizar turnos ou realizar novas contratações para manter o mesmo nível de atendimento e cobertura operacional com dois dias de repouso semanal e uma jornada semanal menor.

  • Imagine uma operação que atualmente conta com 60 funcionários trabalhando em escala 6×1.

Caso a carga de trabalho individual seja reduzida, pode ser necessário contratar profissionais adicionais para preencher as horas que deixarão de ser trabalhadas.

Na prática, isso representa aumento direto na folha de pagamento.

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Reorganização das escalas

Muitas empresas terão que redesenhar seus modelos de jornada. Será necessário criar novas escalas capazes de garantir cobertura operacional sem ultrapassar os limites legais de trabalho.

Essa mudança exigirá planejamento detalhado e ferramentas adequadas de gestão de pessoas.

Possível aumento de custos trabalhistas

Além das contratações adicionais, podem surgir outros impactos financeiros relacionados a:

  • Encargos sociais;
  • Benefícios;
  • Treinamento de novos colaboradores;
  • Uniformes;
  • Equipamentos;
  • Custos administrativos.

Dependendo do segmento, o aumento dos custos pode ser relevante.

Como calcular os possíveis impactos financeiros?

Com a aprovação da PEC 221/2019 pelo Congresso Nacional, as empresas já podem começar a simular os efeitos da nova jornada sobre seus custos operacionais e trabalhistas, mesmo antes do início dos períodos de transição previstos no texto.

As organizações mais preparadas já estão realizando simulações financeiras.

O primeiro passo consiste em mapear:

  • Quantidade atual de colaboradores;
  • Horas trabalhadas por equipe;
  • Custos da folha de pagamento;
  • Encargos trabalhistas;
  • Benefícios;
  • Horas extras recorrentes.

Com essas informações, torna-se possível construir cenários futuros.

Por exemplo: Uma empresa possui 100 colaboradores com custo médio mensal de R$ 4.000,00 por funcionário.

Caso sejam necessárias 10 novas contratações para manter a operação após a mudança da jornada, o impacto mensal pode chegar a R$ 40 mil apenas em custo médio direto. Em um ano, esse valor pode ultrapassar R$ 480 mil, considerando salários, encargos, benefícios e custos administrativos.

  • Sem planejamento, esse aumento pode comprometer o fluxo de caixa e reduzir significativamente a margem de lucro.

Por isso, a elaboração de projeções financeiras deve começar o quanto antes.

Como preparar sua empresa desde agora?

Como preparar sua empresa desde agora

Com a aprovação da PEC 221/2019 pelo Congresso Nacional, as empresas passam a ter um cenário mais claro para iniciar seu planejamento. Embora seja necessário acompanhar a promulgação, o início dos períodos de transição e eventuais regulamentações complementares, algumas medidas estratégicas já podem ser adotadas para reduzir impactos operacionais e financeiros.

Mapeie processos internos

Antes de pensar em contratar mais pessoas, é fundamental identificar desperdícios operacionais.

Muitas empresas descobrem que parte da carga de trabalho atual está associada a atividades repetitivas, retrabalho ou processos ineficientes.

Ao eliminar gargalos, torna-se possível aumentar a produtividade sem aumentar proporcionalmente a equipe.

Invista em automação

A tecnologia pode ser uma das maiores aliadas nesse processo. Sistemas de gestão, automação financeira, inteligência de dados e ferramentas de produtividade ajudam a reduzir atividades manuais e otimizar recursos.

Empresas que automatizam processos costumam absorver mudanças com muito mais facilidade.

Revise indicadores de produtividade

Não basta medir apenas horas trabalhadas. É necessário avaliar resultados efetivamente entregues.

Muitas organizações já estão migrando para modelos de gestão focados em desempenho, qualidade e eficiência. Essa mudança de cultura pode reduzir a dependência de jornadas longas.

Estruture um planejamento financeiro

O departamento financeiro deve trabalhar com diferentes cenários.

Entre as análises recomendadas estão:

  • Cenário sem mudanças;
  • Cenário com aumento de 5% da folha;
  • Cenário com aumento de 10% da folha;
  • Cenário com aumento de 15% da folha.

Essas projeções ajudam a empresa a tomar decisões antecipadas e evitar surpresas.

A importância da contabilidade na preparação para o fim da escala 6×1

A mudança na jornada de trabalho não deve ser tratada apenas como uma questão trabalhista.

Na prática, seus efeitos também alcançam o planejamento financeiro, os custos com folha de pagamento, a organização operacional, a produtividade e a estratégia empresarial.

Por isso, contar com o suporte de uma contabilidade completa pode fazer toda a diferença.

A contabilidade permite:

  • Projetar cenários financeiros;
  • Simular impactos na folha de pagamento;
  • Avaliar necessidade de contratações;
  • Medir impactos sobre a lucratividade;
  • Identificar gargalos operacionais;
  • Apoiar decisões estratégicas.

Empresas que utilizam dados e indicadores para planejar suas ações conseguem se adaptar de forma muito mais rápida e segura às mudanças do ambiente regulatório.

Conclusão

A aprovação da PEC 221/2019 pelo Congresso Nacional transforma o fim da escala 6×1 de uma discussão legislativa em uma mudança concreta para a qual empresas e trabalhadores precisarão se preparar.

Com a previsão de dois dias de repouso semanal remunerado e a redução gradual da jornada máxima de 44 para 42 e, posteriormente, 40 horas semanais, empresas que dependem de operações contínuas precisarão avaliar com atenção seus modelos de escala, custos com pessoal, produtividade e dimensionamento das equipes.

A preparação deve começar antes mesmo do início dos períodos de transição. Mapear processos, realizar simulações financeiras, avaliar alternativas de escala, investir em produtividade e acompanhar a regulamentação são medidas importantes para reduzir riscos e proteger a rentabilidade do negócio.

A CLM Controller Contabilidade pode ajudar sua empresa a avaliar cenários, projetar impactos financeiros, estruturar controles gerenciais e desenvolver um plano estratégico para enfrentar as mudanças no mercado de trabalho com segurança, eficiência e visão de longo prazo.

Para saber mais e preparar a sua empresa, fale com um dos nossos especialistas!

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